Um retrato social de 2022
Em 2022, o Instituto realizou levantamentos cadastrais junto às pessoas atendidas em suas ações comunitárias.
Os formulários reuniram informações demográficas, socioeconômicas, familiares e territoriais, além de dados sobre acesso à água, energia elétrica, internet, trabalho, moradia, benefícios sociais, educação, saúde e participação em projetos sociais. O relatório considera os dois semestres em conjunto, com tratamento para que uma mesma pessoa não seja contada várias vezes.
Mais do que uma base administrativa, o cadastro de 2022 mostra quem buscava o Instituto e em que condições vivia, transformando registros históricos em evidências para planejamento, projetos, captação de recursos e prestação de contas.
280 registros, cerca de 180 pessoas
Parte do público se cadastrou nos dois semestres. Por isso separamos formulários de pessoas distintas.
| Período | Registros brutos | Pessoas distintas |
|---|---|---|
| 1º semestre | 144 | 93 |
| 2º semestre | 136 | 131 |
| Ano de 2022 | 280 | 180 |
Cerca de 24,4% da base anual aparece nos dois períodos. Entre as 93 pessoas do 1º semestre, 47,3% voltaram a se cadastrar no 2º: há renovação do público e continuidade de uma parcela importante.
Março, julho e novembro concentraram os cadastros
Registros brutos por mês. 1º semestre: 8/1 a 16/7. 2º semestre: 16/7 a 15/12.
Adultos em idade ativa
As 180 pessoas distintas, pelo cadastro mais recente de cada uma.
Em vermelho: faixas de 18 a 41 anos.
As pessoas com até 50 anos somam cerca de 81,1% da base anual.
Mais de 9 em cada 10 são mulheres
As mulheres eram 92,5% da base no 1º semestre e 93,9% no 2º. O resultado mostra o forte caráter feminino da demanda que chegava ao Instituto.
70,3% sem trabalho
Entre 165 respostas válidas, 116 pessoas não trabalhavam. Pessoas trabalhando na residência:
Base: 180 assistidos. Em vermelho: residências com no máximo uma pessoa trabalhando.
Quase um terço das residências não tinha ninguém trabalhando. É um dos indicadores mais fortes de vulnerabilidade econômica do levantamento.
84% com renda de até R$ 1.212
Pergunta incluída no formulário do 2º semestre (131 pessoas). R$ 1.212 era o salário mínimo de 2022.
Vulnerabilidades sobrepostas
Entre as 110 pessoas com renda de até R$ 1.212: 64 pagavam aluguel (58,2%), 38 viviam em casa sem ninguém trabalhando (34,5%) e 42 não recebiam auxílio governamental (38,2%).
A baixa renda não aparecia sozinha: vinha acompanhada de aluguel, falta de trabalho e ausência de proteção social.
Mais da metade paga aluguel
Maternidade solo e filhos
121 pessoas (67,2%) se declararam mãe, avó, tia ou madrasta solo; entre as 166 mulheres, a proporção chega a 71,7%. Foram declarados pelo menos 305 filhos, um piso conservador: quando a resposta era “4 ou mais”, contamos quatro. O número indica vínculos familiares, e não 305 crianças atendidas.
A forte presença de mulheres responsáveis sozinhas pela família aparece em todos os recortes do levantamento.
Escola pública e baixa escolaridade adulta
Escolaridade declarada no 2º semestre (131 pessoas):
Em vermelho: sem Ensino Médio completo. As perguntas do 1º semestre eram diferentes e não foram somadas.
Entre os responsáveis com filhos em idade escolar, 100 indicaram escola pública, 6 instituição filantrópica e 1 particular com bolsa parcial; 17 informaram que o filho não estudava. Cerca de 93,5% dos registros de filhos estudando apontam escola pública.
É o maior grupo isolado. Apenas 3 pessoas declararam Ensino Superior completo.
82,2% convivem com falta de água
Frequência de falta de água por mês (180 pessoas):
57 pessoas conviviam com falta de água por pelo menos 8 dias por mês. A precariedade econômica coexistia com problemas de infraestrutura.
Benefícios, internet e cuidado
Benefícios mencionados: Auxílio Brasil, Auxílio Gás, INSS, BPC e LOAS. Embora o acesso à internet pareça alto, para grande parte dos assistidos ele dependia apenas de dados móveis; 13 pessoas não tinham acesso.
65,2% pretas ou pardas
Pergunta incluída no 2º semestre, respondida por 69 das 131 pessoas.
Em vermelho: pessoas pretas e pardas. Percentual da subamostra com raça/cor informada, e não de todos os 180 assistidos.
Como 62 pessoas não preencheram o campo, o indicador vale para quem informou raça/cor.
Atendimento espalhado por todo o morro
Campo, Beco do Meio/Afonso Micuçu, Vila e Ratolândia reúnem 105 dos 180 assistidos, mas o atendimento não se restringia a um único ponto da comunidade.
Pouca oferta de projetos no território
Projetos citados para as crianças: futebol, luta, skate, dança, reforço escolar, arte, inglês, informática, matemática e atividades do próprio AME. Canais de chegada no 2º semestre (múltipla escolha): indicação (81), WhatsApp (27), outros meios (23), Facebook (10) e Instagram (9).
A baixa inserção de crianças e adultos em atividades comunitárias ajuda a explicar a relevância das ações do Instituto. A confiança comunitária é a principal porta de entrada.
55% conheciam uma vítima fatal no Morro
A proporção de quem conhecia uma vítima fatal subiu do 1º para o 2º semestre, registro do forte impacto da pandemia no território.
Os padrões se mantiveram ao longo do ano
Interpretar com cautela: as bases não têm exatamente as mesmas pessoas.
| Indicador | 1º semestre | 2º semestre |
|---|---|---|
| Assistidos distintos | 93 | 131 |
| Mulheres | 92,5% | 93,9% |
| Sem trabalho* | 78,1% | 68,7% |
| Pagavam aluguel | 54,8% | 57,3% |
| Sem bomba/cisterna | 60,2% | 68,7% |
| Sofriam falta de água | 81,7% | 85,5% |
| Ninguém trabalhando na residência | 26,9% | 30,5% |
| Mãe/avó/tia/madrasta solo | 64,5% | 66,4% |
| Residência com idoso | 18,3% | 17,6% |
| Residência com PCD* | 10,3% | 10,7% |
| Sofriam falta de luz | 73,1% | 65,6% |
| Já tiveram Covid-19 | 32,3% | 35,9% |
| Conheciam vítima fatal no Morro | 46,2% | 60,3% |
* Percentual sobre respostas válidas.
Entre as 44 pessoas presentes nos dois semestres, 26 declararam não trabalhar nos dois levantamentos, 5 passaram a trabalhar e 4 deixaram de trabalhar; 25 continuaram pagando aluguel. Esses dados não avaliam causas, mas mostram o potencial do cadastro para acompanhar as famílias ao longo do tempo.
Como estes dados foram produzidos
Publicamos também os limites da base, para que qualquer pessoa possa avaliar os números.
Origem dos dados
Como contamos pessoas distintas
Limitações da base
- O 1º semestre tem 144 respostas, mas só 93 nomes distintos.
- Renda, raça/cor e canal de chegada só existem de forma estruturada no 2º semestre.
- Raça/cor tem 62 respostas vazias no 2º semestre.
- A pergunta sobre orientação sexual mudou entre os semestres e mistura identidade de gênero e sexualidade; por isso não publicamos indicador anual dessa variável.
- Nenhuma informação ausente foi completada por inferência.
Próximos cadastros
Esta página mostra apenas números agregados. As planilhas originais não são publicadas: nomes, telefones, CPF ou identidade, nomes de crianças, e-mails e informações familiares, de saúde, raça/cor, orientação sexual e benefícios ficam protegidos, conforme a LGPD.
Relatório completo
Todas as seções do levantamento de 2022, com tabelas, comparação entre semestres e recomendações para os próximos cadastros.
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